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  A Gestão do Conhecimento aplicada na geração de valor
Por Douglas Miquelof
 

Para os estudiosos da administração de empresas, como Ford, Taylor, Fayol, entre tantos outros, ao longo do desenvolvimento industrial que é chancelado como uma revolução, a imposição de vantagem competitiva era meramente suprir até então as deficiências de conhecimento e educação de trabalhadores para um envelope operacional sustentado por estudo de processos de fácil treinamento, aprendizagem e substituição da mão de obra, tempos de deslocamento, movimentos, montagem e mecanização da produção como parâmetros de desempenho.

No século passado, a função de pensar a gestão e melhoria de processos estava nas mãos de poucos “pensadores” que olhavam para o próprio umbigo dentro das empresas que se sustentavam em recentes selos de qualidade na busca de criar parâmetros de falhas e defeitos em peças, muito longe de entender que este modelo industrial quase nada se aplicava nas empresas meramente de serviços ou atividade mista, que começou a representar maior participação na economia.

Neste contexto, o valor intelectual de cada um dentro da organização era jogado pelo ralo ou era descartado, sem que colaboradores, fornecedores e consumidores tivessem a chance de serem ouvidos ou que este processo, meramente informal, até hoje encontrado em muitas empresas e chamado de “caixa de sugestões”, fosse registrado, catalogado, classificado e lapidado para utilização futura como parte das informações que balizam a estratégia e atuação da empresa. No Brasil contemporâneo, que ainda carrega traços do Brasil colônia e ranço da industrialização arcaica de meados do século passado, de característica ocidental, principalmente europeu, incrementar a cultura da Gestão do Conhecimento (sigla em inglês KM de Knowledge Management) é um desafio.

No oriente do pós-guerra, a Gestão do Conhecimento e valorização intelectual fez com que as empresas e governos reconstruíssem o Japão e posiciona-se uma pequena ilha perto do extremo norte do Globo em potencia mundial com pouco mais de 20 anos depois da devastação quase que total. Seus modelos de produção de produtos e serviços são hoje o principal objeto de estudo para vantagem competitiva das empresas e acadêmicos. O Lean Manufacturing, mais conhecido pelo estudo do Sistema Toyota de Produção, explicado vasta literatura lançada nos últimos 5 anos, se sustenta sobre os princípios da Gestão de Conhecimento.

Mas enfim, o que é a Gestão do Conhecimento? É uma ferramenta, é um processo, uma metodologia? A resposta? É tudo junto e misturado. É uma filosofia de construção social para o trabalho com foco em captar e registrar pensamentos, opiniões, devaneios de todos aqueles que se envolvem com a empresa, seus produtos e serviços: funcionários, clientes, consumidores, fornecedores, concorrentes, comunidade do entorno, canais de distribuição, pesquisadores, etc. Mas só registrar não basta, as informações captadas devem ser processadas e transformadas em Conhecimento, seja ele através de processos de treinamento e reciclagem, melhoria de processos, controles de qualidade, desenvolvimento de produtos, sistemas de gestão, etc.

O foco é dar “empoderamento” para as pessoas e transformar sua contribuição intelectual em valor para a empresa, maximizando os resultados, políticas e gestão de relacionamento. No estudo do Sistema Toyota nota-se que mitigar riscos, resolver problemas com alta velocidade, tomar de decisões importante em curto espaço de tempo e correções de rumo da estratégia e planejamento são os principais destaques, que em dias de hoje, com a alta competitividade, são os fatores críticos de sucesso para qualquer organização. A Gestão do Conhecimento também contribui no engajamento e retenção de talentos, pois é uma forma democrática de incluir todos os níveis da empresa e stakeholders na atividade estratégica e decisória, saciando partes da lacuna chamada motivação.

Para quem quiser aprofundar no assunto, fica a dica do livro “Gestão do Conhecimento – O grande desafio empresarial”, escrito pelo empresário e professor José Claudio Terra. No próximo artigo, vamos falar sobre o ambiente empresarial criativo para geração de valor e como ele pode facilitar as conexões de pessoas e processos para melhorar os resultados corporativos.

 
   
 
Douglas Miquelof
Douglas Miquelof - Diretor de Educação Executiva do IBMR
Formado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela USCS, tem pós-graduação em Marketing e MBA em Logística Empresarial pela FIPEP e MBA em Conhecimento, Tecnologia e Inovação pela FIA/USP.

Com mais de 15 anos de carreira, soma experiências em empresas nacionais e multinacionais, como Nissin Ajinomoto, NBF Logística, Rádio CBN, Rádio Globo nas áreas de marketing, comunicação, desenvolvimento de produtos, vendas, novas mídias, convergência digital, entre outras. É atualmente coordenador da área de projetos especiais do Jornal O Globo.

Como professor universitário é um dos responsáveis pela implantação e desenvolvimento do curso de Propaganda e Marketing da FMU, lecionando em várias disciplinas, além de coordenar os trabalhos interdisciplinares e a semana de Propaganda e Marketing.

 
 
 
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